A história da arquitetura está cheia de edifícios que ao longo dos tempos vão sendo desocupados e caindo em detioração, por causas naturais de degradação ou por desastres que os deixam devolutos. Muitos deles ficam assim, como os anos os decidiram deixar, outros têm a sorte de lhes ser dada a significância para uma nova vida. 

Neste caso não falamos de restauro, falamos de uma vida como um marco de uma nova época, uma reabilitação de outro tempo, e é aqui que o antigo encontra o contemporâneo.  

Existem neste momento inúmeros exemplos dignos deste cruzamento de épocas, no entanto, decidimos destacar 5 edifícios que demonstrem esta relevância, quer pela sua fama, quer pela importância histórica e arquitetónica, variedade de localização ou tipologia dos edifícios que varia desde museus, a escolas ou edifícios de índole religiosa. 


Royal Ontario Museum 

Talvez o mais diferente e chocante desta lista seja o Royal Ontario Museum, localizado em Toronto, no Canadá. Esta intervenção da equipa alemã Studio Libeskind num edifício do início do século XX no centro da cidade apresenta com muito clareza a identidade deste estúdio de arquitetura que é notável em todas as suas obras de intervenção.  

Este primeiro edifício resulta da combinação de vários espaços diferentes de exposição que se uniram num só museu com o tempo. Por uma necessidade de expansão e uma vontade de ter um edifício icónico na cidade surgiu esta nova ala que se assemelha a um diamante multifacetado – justificado pela ligação do museu à história natural numa alusão aos minerais e à sua forma de refletir a luz – fazendo dela o marco arquitetónico que a cidade ansiava há tanto. 


British Museum em Londres 

Ainda no âmbito dos museus surge-nos uma proposta mais comedida, com um efeito igualmente grandioso, mas escondida dos olhares exteriores. Da autoria de Norman Foster, famoso pelas suas intervenções de vidro em edifícios antigos, temos o exemplo do British Museum em Londres.  

Esta proposta consiste no fecho de um pátio interior, enclausurado dentro do edifício, com uma peça central circular que remata a cúpula de vidro que cobre todo este espaço. Esta área torna-se assim num open space no centro do museu, que não é apenas um espaço de passagem, mas um espaço de estar e de admirar a luz natural esbranquiçada, típica de Londres, enquanto se admira as fachadas interiores que se tornam apenas divisórias num espaço com pé direito total, admitindo uma grandiosidade admirável a este espaço que se tornou a jóia arquitetónica do museu.


Faculdade de Arquitetura da Universidade de Delft 

Mudando um pouco de tipologia temos o exemplo de um edifício que, não tendo tanto estatuto e antiguidade, teve de ser adaptado. Após um incêndio em 2008 na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Delft, na Holanda, houve a necessidade de a realojar. Passou então a ser no anterior edifício da reitoria, um edifício antigo, na típica construção holandesa em tijolo burro.  

A esta estrutura existente, por necessidade de mais espaços para aguentar a capacidade de alunos, foram ainda adicionadas duas ampliações com uma estrutura metálica de vidro que fecha os pátios em espaços interiores resguardados entre as fachadas do edifício, criando novos espaços quer letivos, quer de lazer. Para além de trazer uma nova dinâmica a toda a faculdade aproximou-a ainda mais do seu propósito educacional ensinando os alunos a importância do passado com as inovações do presente enquanto vivem uma arquitetura que reflete esses ensinamentos.


Museu Machado de Castro em Coimbra

Passando para um exemplo nacional temos a intervenção no Museu Machado de Castro em Coimbra, pelo arquiteto Gonçalo Byrne. Num museu que estava desesperadamente a precisar de ser reabilitado, foram ainda adoçados dois novos corpos com a intenção de proteger estruturas existentes que constituem parte do museu e da exposição em simultâneo. 

Esta intervenção, embora de perto não tenha uma presença muito forte, à exceção da vista da varanda, confere ao museu uma notável diferença no desenho da paisagem da cidade vista da outra margem do rio, onde nos surge um corpo contemporâneo entre outros carregados de história, criando um contraste na cidade que tanto precisava de abraçar a antiguidade que lhe é tão característica a um futuro mais desafiante. 


Notre Dame em Paris 

Por último, não poderíamos deixar de referir um exemplo futuro do que será certamente uma das mais famosas intervenções dos nossos tempos. A reabilitação da Catedral de Notre Dame em Paris, que tem desde o recente incêndio um concurso aberto para a sua reabilitação. 

Não sabendo qual será o projeto escolhido, uma coisa podemos já ter como certa, será uma das intervenções mais mediáticas e criticadas de todos os tempos. Se por um lado há quem ache que se deveria fazer uma reconstrução exata do que existia, pois ela já havia sofrido na época das grandes guerras e aguentou sempre com o seu aspeto original, este deveria ser mantido, por ser um marco tão forte na história da arquitetura. Por outro lado, há quem afirme que se deve assumir o que aconteceu e marcar um novo ponto para a sua história e que esse marco deve estar representado na sua arquitetura.  


Não sabendo qual será o seu final, deixamos uma das propostas atuais já divulgadas.

Que o medo da mudança nunca nos faça ficar agarrados ao passado e que o deslumbre pelo futuro nunca nos deixe esquecer a nossa história. 

É isso que nos motiva na buildtoo, levar a inovação tecnológica a um sector que tende a viver agarrado ao passado, não para um rompimento, mas para um casamento que otimize todas as suas potencialidades, o conhecimento do passado com a inovação do presente, para um melhor futuro.