O sector da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) resistiu à mudança, mas os avanços tecnológicos e a transformação digital contribuem cada vez mais para a melhoria dos procedimentos físicos.  

Já ninguém dúvida que o comboio da indústria 4.0, e os seus vários fornecedores, vão ser os grandes responsáveis por transportar empresas e técnicos para a otimização de processos e funções.  

Quem administra uma empresa (e paga as contas) sonha com potenciar a atividade através da sua adequação às necessidades identificadas pelo mercado, e todos desejamos ser mais produtivos e gerar mais dinheiro, sem sacrifício de mais horas a trabalhar…   

Identificam-se com esta nova realidade? Estas são as 12 sugestões que deixamos para estarem atentos no próximo ano.  

1 – Dispositivos móveis 

Mais que nunca temos, literalmente, a nossa vida nas mãos. Já nos é possível aceder a tudo através de um dispositivo móvel. Desde redes sociais, a streams, contas bancárias ou softwares de gestão, já temos tudo sempre no bolso. É, portanto, importante apostar em plataformas que funcionem em todos os dispositivos ou disponham de aplicações para que nada nos escape, estejamos nós no escritório, na obra ou no metro. 

2 – Plataformas de IoT 

Estas são as plataformas que ligam os objetos do quotidiano dotados de capacidade computacional e comunicativa à rede e estão em constante crescimento. A cada dia que passa há uma nova descoberta e um novo avanço nesta área, desde à máquina de café que serve um café acabado de tirar quando acordamos com o despertador, ou ao relógio que nos mede a pulsação ou as horas de sono. Estas plataformas são uma mais valia porque ajudam a reunir e interpretar informação das nossas tarefas de quotidiano criando mecanismos que nos ajudam no controlo e automatização das nossas atividades. 

3 – Tecnologias de localização geográfica 

Sabem quando nos aparece um pop-up a perguntar se autorizamos partilhar a nossa localização quando abrimos qualquer aplicação? Pois é, quase todos os serviços já se aproveitam desta informação para perceber a nossa localização geográfica e, de acordo com isso, personalizar o nosso serviço. A verdade é que por mais intrusivo que seja, em alguns casos a personalização é mesmo uma mais valia, indicando-nos, por exemplo, os serviços mais próximos ou o caminho mais curto ou mais rápido com uma simples pesquisa. Quem nunca deu por si perdido e a precisar de saber como chegar a uma reunião? 

4 – Interfaces avançados de interação humana 

Há cada vez um número maior de interfaces com as quais podemos interagir. As interfaces são o que definem aquilo que vemos de cada programa e que pode ser personalizado de forma a se adaptar aos usos de cada indivíduo de acordo com a função pretendida. Estas devem ser extremamente bem pensadas uma vez que definem a capacidade do utilizador se identificar e interagir com o produto, como é o caso dos dispositivos que a partir de certa hora ativam o “dark mode” ou adaptam a luminosidade do ecrã à exposição do ambiente em que estejam. 

5 – Autenticação e detecção de fraudes 

A segurança é um dos tópicos mais debatidos quando falamos de tecnologia. Se por um lado nos fascina, tem também o poder de nos assustar quando mergulhamos em áreas que desconhecemos. Com esse propósito surgiram uma série de sistemas que já podemos aplicar em quase todos os dispositivos, desde a impressão digital ao reconhecimento facial. Estes sistemas dificultam já em muito as fraudes por roubo de palavras-passe, conferindo maior segurança a todos os dados que temos armazenados nos nossos dispositivos, por terem acesso exclusivo do proprietário. 

6 – Impressão 3D 

Há muito que falamos em impressões, mas a impressão 3D revolucionou todo um universo de produção. Para além de podermos imprimir algo que até aqui teríamos de fazer manualmente, ou pelo menos montar, agora já é possível imprimirmos um objeto em nossa casa. Não só ajuda na produção criando protótipos mais rápidos, mas revolucionou também outras áreas, sendo já possível imprimir próteses com o fim de aplicação médica ou até edifícios inteiros. 

7 – Sensores Inteligentes 

É verdade, já é possível por sensores em quase tudo, desde as luzes, à rega, aos carros, há um sem fim de aplicações possíveis. Estes servem para nos ajudar no nosso dia-a-dia monitorizando e substituindo as nossas ações, desde pequenas programações de detecção de movimento a reconhecimento facial em massa numa grande cidade. Parece complexo, mas estes sensores podem também ser utilizados para otimizar atividades do dia a dia, tanto na monitorização dentro da nossa própria casa como na empresa para controlar entradas, iluminação e temperatura por exemplo. 

8 – Análise de BigData e algoritmos avançados 

Toda a atividade que fazemos na internet é de alguma forma rastreada e guardada e é aí que reside a BigData, que se caracteriza pela recolha de grandes quantidades de informação. Esta recolha tem sido muito polémica, por em muitos casos ser utilizada sem o devido consenso para o tratamento de dados feito pelos algoritmos das grandes plataformas. 

Estes são utilizados para perceber todo o tipo de comportamentos e interações de todos os indivíduos, sendo estes os responsáveis pela publicidade daquilo que andámos anteriormente à procura. Sempre que nos são apresentadas sugestões não é coincidência, são algoritmos. 

9 – Interações em várias plataformas e análise de perfis de clientes 

Os famosos CRM’s são as plataformas onde ficam guardadas todas as informações respeitantes a todas as leads e clientes, todas elas armazenam e categorizam dados que nos permitem perceber o tipo de clientes que temos e a quem queremos chegar, através da criação de perfis. Estas ajudam a centralizar toda a informação de cada contacto e a qualificar cada um deles para perceber o tipo de ações que irão receber. Por exemplo, quando ligamos para uma pizzaria e, sem dizermos nada, nos tratam pelo nome e perguntam se queremos a pizza “x” (porque foi a que comemos da última vez). Pois é, não é a arte da clarividência, é o nosso perfil numa base de dados que permite que todo o serviço seja direcionado e personalizado. 

10 -Realidade Aumentada 

Esta continua a ser uma das inovações que mais nos fascina, porque se é interessante sabermos o universo que existe na internet, nada se compara a conseguir ver algo que não está ao nosso alcance. 

Na área da construção este tem sido um caminho muito importante, uma vez que, estando tudo bem desenhado, é possível andarmos dentro de algo que ainda não foi construído, podendo melhor prever aquilo que será o resultado final. De repente, somos remetidos a um jogo de computador onde nós somos a personagem principal e o cenário é a nossa futura casa, nem os Sims superam isso. 

11 – Cloud Computing 

Se até agora correr um programa mais “pesado” era uma tarefa que não era possível ser feita com qualquer processador, com o Cloud Computing esta realidade é completamente diferente. 

O Cloud Computing permite que qualquer dispositivo faça operações recorrendo a um processador externo, em cloud, fazendo com que não seja necessário ter tanto poder de processamento interno. Esta diminuição de poder de processamento no próprio dispositivo pode resultar numa redução significativa do preço dos dispositivos por terem apenas de recorrer a este serviço quando necessário, não tendo de o ter de origem. Com esta medida qualquer dispositivo que tenhamos passa a estar apto a fazer as operações que requerem maior esforço de processamento e, portanto, facilitar o tipo de operações em qualquer lugar ou dispositivo que tenhamos ao nosso dispor, alargando o espectro de atividades que podemos realizar em qualquer lugar. 

12 – Estratégia 

Se é verdade que todas estas inovações tecnológicas são importantes, pouco significam se não houver uma estratégia de implementação. Se a nível pessoal a determinação é o fator crucial, numa empresa a estratégia é fundamental, ditando os passos a seguir para que a esta se torne digital.  

Numa primeira fase é importante perceber a maturidade digital para que os objetivos criados sejam pensados de forma adaptada. É também importante que seja dada uma ordem de prioridade aos objetivos que trouxerem os benefícios mais rápidos, devendo estes ser os primeiros a serem implementados, até porque, a melhoria direta de processos incentiva à continuação de mudança.  

Por último, mas não menos importante, no caso das empresas, o alinhamento nesta mudança é crucial. Este deve vir da liderança que irá suportar e defender os novos métodos e a sua implementação para que sejam adoptados com sucesso por toda a estrutura. 

Acreditamos que se perseguirmos todos estes passos para a digitalização e para uma aproximação da indústria 4.0 este ano será certamente, não só de mudança, mas também de sucesso. 

A experiência indica-nos que por vezes é preferível abrandar para aprender coisas novas para depois voltar em força, com mais conhecimento e capacidade de trabalho.  

A nossa dica mais importante é a capacidade de manter em mente que todos os sucessos têm uma curva de aprendizagem, mas no final vale muito a pena ultrapassá-la!